Crescer com Afecto

Saúde Pais e Filhos


7 Dicas para melhorar o comportamento do seu filho na hora da refeição

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Está a chegar a hora do jantar, em casa da família “Silva”. São 20 horas e a mãe chama pelo filho, que está a ver televisão na sala: “O jantar vais ser servido, vem para a mesa”. Enquanto os pais conversam sobre os acontecimentos do dia reparam que o filho, de 4 anos, esta a brincar com a comida: “Não brinques com a comida e come, por favor”, diz a mãe com voz firme. A criança continua a brincar e não presta atenção ao que a mãe lhe pediu: “Come, que a comida está a ficar fria, já te avisei”. O tom de voz vai subindo: “Se não comes o que tens no prato vais ficar de castigo”. A hora do jantar torna-se num momento pouco agradável para a família Silva e é o momento do dia em que estão todos reunidos, depois de um dia de trabalho…

Talvez se esteja a rever neste cenário. E porque é que isto acontece?

Independentemente do motivo que leva a criança a não ter interesse pela comida, ou por comer no tempo certo, o que acontece muitas vezes é uma luta de poder entre a criança e os pais, na hora da refeição. Também para algumas crianças, opor-se à comida, é uma forma de declarar a sua independência, uma forma de começar a tomar decisões sozinha.

Quando a criança não come, ou está a brincar na hora da refeição, consegue chamar à atenção dos pais, que constantemente apelam para que coma: insistem, criticam, ameaçam ou aplicam castigos à criança por não comer. Infelizmente, esta parece não ser a solução mais adequada, pois a criança percebe que os pais ficam zangados com este comportamento e elas ficam com o controlo da situação. Este confronto de vontades só agrava o problema e torna as horas das refeições difíceis e pouco agradáveis.

O que fazer?

1- Ignore as impertinências na hora da refeição e as más maneiras à mesa

Não é fácil seguir este conselho, mas, por mais estranho que lhe pareça, estar sempre a dizer a mesma coisa: “come (…) vais para o castigo (…) estou a ficar sem paciência (…) vais ficar sozinho na mesa (…)”, não leva à resolução do problema. Antes pelo contrário, reforça os problemas com a alimentação e acentua as lutas de poder, pais vs criança. As crianças aprendem rapidamente que, brincar com a comida, ou não comer no tempo certo, são meios eficazes para chamar a atenção dos pais, aborrecendo-os. Por isso, é necessário empenho e algum esforço, por parte dos pais, para ignorar os comportamentos que considera desadequados à mesa, e mudar de “rumo”.

2- Recompense quando a criança come bem e têm um bom comportamento à mesa

Se estão à mesa mais do que uma criança (irmãos) e o comportamento de uma delas é positivo, por exemplo, come bem e no tempo certo, aproveite para a elogiar: “Que bem que estás a comer (…) estou muito contente contigo, estás muito bem sentado à mesa (…) hoje, por estares a comer tão bem podes escolher a sobremesa”. A atenção positiva que os pais estão a dar aquela criança, vai fazer com que a outra queira imita-la. E, logo de seguida, deve elogiá-la também. Isso faz com que a criança reconheça vantagem em ter um bom comportamento. Não é positivo utilizar-se a comparação, entre crianças. Aliás deve ser evitada. Se por outro lado, a criança está sozinha, os pais devem estar atentos a pequenos gestos, ou comportamentos positivos, e elogiar de imediato, por exemplo, se a criança está bem sentada: “Que bem que estás sentado para comer, estás mesmo crescido”, “Hoje quem comer tudo o que está no prato, antes do relógio tocar, tem direito a escolher a sobremesa”. E os pais participam também deste “jogo”. É importante que os pais estejam otimistas e motivados para estas mudanças: facilitará o processo.

3- Dê o exemplo na hora das refeições

Se a refeição da criança deve ser composta pela sopa, prato principal e fruta, os seus pais deverão ser os primeiros a dar o exemplo, ou seja, a comerem todos da mesma forma e no mesmo local. O seu filho vai aprenderá o que deve e como deve, ou não, comer, observando o comportamento dos pais. Seja um exemplo na hora da refeição e fora dela: procure comer de forma equilibrada, evite comentários depreciativos sobre certos alimentos e demonstre interesse pelas refeições em família.

4- Determine um tempo limite para as refeições

Em vez de deixar arrastar o tempo da refeição, se o seu filho brinca com a comida, ou come muito devagar, estabeleça um tempo que considere razoável, para que possam fazer a refeição, por exemplo, 20 ou 30 minutos (pode utilizar um relógio de cozinha ou despertador). Explique à criança, antecipadamente, o que vai acontecer: “Quando o relógio tocar vou levantar os pratos da mesa”. É importante não se esquecer dos tópicos anteriores e deve evitar fazer avisos em relação ao tempo, por exemplo: “Está quase a acabar o tempo, vou levantar os pratos…”. Quando o relógio tocar deve com calma retirar os pratos, tal como combinado. Não se mostre zangado, ou aborrecido com o que a criança comeu. Opte por um comentário descritivo: “Estou a ver que hoje estás sem fome…”. Com este procedimento estamos a fazer com que a criança se sinta responsável pelo que comeu. Assim que entender que há uma limitação de tempo e quais as consequências de não comer no tempo estabelecido, começará a melhorar o seu comportamento durante as refeições e a reconhecer que não obtém a sua atenção se não comer.

5- Evite o petiscar a toda a hora, fora das refeições

Se as crianças estão sempre a petiscar, nunca vão sentir o seu corpo a “dizer” que está com fome. Além disso irão adquirir maus hábitos alimentares. Estabeleça limite de acesso à comida às horas das refeições (5 diárias), com intervalos regulares. Esta é uma forma de ensinar que os momentos para comer são pré-estabelecidos e que, se não comer naquela refeição, só o voltará a fazer na seguinte (não caia na tentação de dar alimentos que substituem a refeição que não comeu).

6- Torne a hora da refeição, num momento divertido e relaxante

Lembre-se que este momento deve ser positivo e livre de conflitos e discussões. É basilar adotar uma atitude descontraída e de apoio. Se a criança já sabe comer sozinha (> 15 meses), evite dar-lhes de comer à boca e não apresse o momento da refeição, pois é importante que a criança possa explorar os alimentos e as suas texturas. Não deve exigir o prato limpo, o chão sem restos de comida, ou maneiras perfeitas à mesa: a criança está a aprender, ajude-a! Se, por outro lado, a criança já é mais crescida (> 4, 5 anos) deve incentiva-la a utilizar corretamente os talheres, apelando à sua autonomia: “Que crescido, já comes tão bem de faca e garfo! Estou muito contente”. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para que as refeições decorram num ambiente descontraído e alegre, para todos os membros da família. Evite “berros” e confusões. Outras atividades em simultâneo podem ser prejudiciais, pois vão desviar a sua atenção e a da criança: de evitar o uso de telemóveis, tablets e televisores.

7- Seja persistente, vai ver que valerá a pena!

Seja persistente. Elogie e incentive a criança a falar sobre outros assuntos, que não impliquem o seu comportamento durante a refeição.

Verónica Pereira
Enfermeira Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria
Área de intervenção na Infância e Adolescência
http://www.crescercomafecto.com

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ESTÁ NA HORA DE DEIXAR A FRALDA?

DICAS PARA AJUDAR O SEU FILHO A DEIXAR A FRALDA

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Está na hora do meu filho deixar a fralda?  
Quando e como lhe vamos retirar a fralda? 
Ele já tem idade para deixar a fralda? 
Será a altura certa?
Deverei força-lo a ir à casa de banho?

Estas são algumas das questões que os pais colocam com frequência aos profissionais de saúde, quando a criança começa a andar e a falar…

Para dar resposta a estas questões é necessário termos em consideração a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra e como tem sido o seu desenvolvimento motor e emocional ao longo desse tempo. Segundo Brazelton, pediatra e autor de vários livros de desenvolvimento infantil, a criança tem que estar preparada para este momento (nunca antes dos dois anos) e os pais devem conhecer os sinais de que ela está apta para iniciar este processo.

Deseja-se que este seja um momento positivo, de conquista para a criança e não o contrário: -um momento de frustração e emocionalmente negativo, pode levar a problemas futuros, tais como, retenção urinária e/ou das fezes, incontinência fecal e/ou urinária, ou enurese noturna.

É importante que esta fase, de início do treino esfincteriano (reter o xixi e o cocó durante algum tempo), aconteça quando a criança está preparada, ou seja, no momento em que revela sinais de maturidade [aspetos fisiológicos, cognitivos, psicológicos e emocionais], designadamente:

  • A linguagem da criança está bem desenvolvida;
  • A criança sabe dizer “não”;
  • Começa a imitar os pais e o(s) irmão(s) mais velho(s);
  • Começa a manter-se seca durante uma ou duas horas;
  • Consegue estar algum tempo sentada;
  • Tem regularidade no horário da evacuação;
  • Começa a ter consciência do seu corpo.

Estes são alguns dos sinais que Brazelton enumera como essenciais para que a criança tenha sucesso no controlo dos esfíncteres.

Algumas crianças começam a ser treinadas por volta dos 2 anos, mas não se preocupe se o seu filho, com 2 anos e meio, ainda não tiver iniciado o treino: -muitas crianças só estão preparadas mais tarde. Se, pelo contrário, este der sinais de estar preparado, pode começar o treino do bacio mais cedo; mas não tenha “pressa”, nem crie “lutas de poder” por causa disto. Inicie este processo de treino quando tiver disponibilidade, paciência e quando não tiver demasiadas pressões familiares de outro tipo.

SINAIS DE QUE A CRIANÇA ESTÁ PRONTA:

  • O seu filho consegue manter-se seco durante 2 ou mais horas;
  • O seu filho reconhece os sinais que precisa de usar o bacio/sanita;
  • O seu filho consegue baixar as cuecas e puxá-las para cima sozinho;
  • O seu filho parece motivado ou interessado para ir à casa de banho;
  • O seu filho consegue cumprir instruções simples.

Se identifica a maioria destes sinais no seu filho pode começar o treino esfincteriano, ou treino no bacio, contudo, lembre-se que ajudar a criança a deixar a fralda é um processo que necessita de muita compressão e tempo [cada criança tem o seu tempo].

COMECAR O TREINO ESFINCTERIANO SEGUINDO OS SEGUINTES PRINCÍPIOS:

  • Vista o seu filho com roupas que sejam fáceis de tirar, com elástico na cintura;
  • Use um bacio de tamanho infantil ou um adaptador especial para a sanita;
  • Crie uma rotina para ele se sentar no bacio – comece por sentar a criança completamente vestida uma vez por dia, na altura que ela habitualmente suja a fralda;
  • Avance, sentando o seu filho no bacio despido da cintura para baixo. Não o force nem o obrigue a sentar-se;
  • Deixe que o seu filho o veja a si ou aos irmãos mais velhos a ir à casa de banho;
  • Mostre-lhe como usar o papel higiénico, o autoclismo e como lavar as mãos;
  • Elogie o seu filho sempre que ele usar o bacio, ou vir que ele tem as cuecas secas;
  • Estabeleça um horário para ir ao bacio;
  • Certifique-se de que o seu filho sabe que não faz mal pedir ajuda para ir ao bacio, em qualquer altura;
  • Ensine o seu filho a limpar-se e a lavar as mãos depois de ir ao bacio;
  • Conte com regressões; não dê muita importância aos erros, como molhar a cama ou acidentes – mantenha-se calmo e positivo: “Não faz mal, aposto que da próxima vez fazes no bacio”;
  • Quando a criança já se conseguir manter seca, considere a hipótese de usar cuecas de treino, uma vez que estas permitem às crianças pequenas despirem-se sozinhas; introduza-as gradualmente, talvez durante algumas horas de cada vez;
  • Continue a usar fralda durante a noite, mesmo que o seu filho fique seco durante o dia; pode levar meses ou anos até conseguir ficar seco à noite.

Verónica Pereira
Enfermeira Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria
Área de intervenção na Infância e Adolescência
http://www.crescercomafecto.com