Crescer com Afecto

Saúde Pais e Filhos


7 Dicas para melhorar o comportamento do seu filho na hora da refeição

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Está a chegar a hora do jantar, em casa da família “Silva”. São 20 horas e a mãe chama pelo filho, que está a ver televisão na sala: “O jantar vais ser servido, vem para a mesa”. Enquanto os pais conversam sobre os acontecimentos do dia reparam que o filho, de 4 anos, esta a brincar com a comida: “Não brinques com a comida e come, por favor”, diz a mãe com voz firme. A criança continua a brincar e não presta atenção ao que a mãe lhe pediu: “Come, que a comida está a ficar fria, já te avisei”. O tom de voz vai subindo: “Se não comes o que tens no prato vais ficar de castigo”. A hora do jantar torna-se num momento pouco agradável para a família Silva e é o momento do dia em que estão todos reunidos, depois de um dia de trabalho…

Talvez se esteja a rever neste cenário. E porque é que isto acontece?

Independentemente do motivo que leva a criança a não ter interesse pela comida, ou por comer no tempo certo, o que acontece muitas vezes é uma luta de poder entre a criança e os pais, na hora da refeição. Também para algumas crianças, opor-se à comida, é uma forma de declarar a sua independência, uma forma de começar a tomar decisões sozinha.

Quando a criança não come, ou está a brincar na hora da refeição, consegue chamar à atenção dos pais, que constantemente apelam para que coma: insistem, criticam, ameaçam ou aplicam castigos à criança por não comer. Infelizmente, esta parece não ser a solução mais adequada, pois a criança percebe que os pais ficam zangados com este comportamento e elas ficam com o controlo da situação. Este confronto de vontades só agrava o problema e torna as horas das refeições difíceis e pouco agradáveis.

O que fazer?

1- Ignore as impertinências na hora da refeição e as más maneiras à mesa

Não é fácil seguir este conselho, mas, por mais estranho que lhe pareça, estar sempre a dizer a mesma coisa: “come (…) vais para o castigo (…) estou a ficar sem paciência (…) vais ficar sozinho na mesa (…)”, não leva à resolução do problema. Antes pelo contrário, reforça os problemas com a alimentação e acentua as lutas de poder, pais vs criança. As crianças aprendem rapidamente que, brincar com a comida, ou não comer no tempo certo, são meios eficazes para chamar a atenção dos pais, aborrecendo-os. Por isso, é necessário empenho e algum esforço, por parte dos pais, para ignorar os comportamentos que considera desadequados à mesa, e mudar de “rumo”.

2- Recompense quando a criança come bem e têm um bom comportamento à mesa

Se estão à mesa mais do que uma criança (irmãos) e o comportamento de uma delas é positivo, por exemplo, come bem e no tempo certo, aproveite para a elogiar: “Que bem que estás a comer (…) estou muito contente contigo, estás muito bem sentado à mesa (…) hoje, por estares a comer tão bem podes escolher a sobremesa”. A atenção positiva que os pais estão a dar aquela criança, vai fazer com que a outra queira imita-la. E, logo de seguida, deve elogiá-la também. Isso faz com que a criança reconheça vantagem em ter um bom comportamento. Não é positivo utilizar-se a comparação, entre crianças. Aliás deve ser evitada. Se por outro lado, a criança está sozinha, os pais devem estar atentos a pequenos gestos, ou comportamentos positivos, e elogiar de imediato, por exemplo, se a criança está bem sentada: “Que bem que estás sentado para comer, estás mesmo crescido”, “Hoje quem comer tudo o que está no prato, antes do relógio tocar, tem direito a escolher a sobremesa”. E os pais participam também deste “jogo”. É importante que os pais estejam otimistas e motivados para estas mudanças: facilitará o processo.

3- Dê o exemplo na hora das refeições

Se a refeição da criança deve ser composta pela sopa, prato principal e fruta, os seus pais deverão ser os primeiros a dar o exemplo, ou seja, a comerem todos da mesma forma e no mesmo local. O seu filho vai aprenderá o que deve e como deve, ou não, comer, observando o comportamento dos pais. Seja um exemplo na hora da refeição e fora dela: procure comer de forma equilibrada, evite comentários depreciativos sobre certos alimentos e demonstre interesse pelas refeições em família.

4- Determine um tempo limite para as refeições

Em vez de deixar arrastar o tempo da refeição, se o seu filho brinca com a comida, ou come muito devagar, estabeleça um tempo que considere razoável, para que possam fazer a refeição, por exemplo, 20 ou 30 minutos (pode utilizar um relógio de cozinha ou despertador). Explique à criança, antecipadamente, o que vai acontecer: “Quando o relógio tocar vou levantar os pratos da mesa”. É importante não se esquecer dos tópicos anteriores e deve evitar fazer avisos em relação ao tempo, por exemplo: “Está quase a acabar o tempo, vou levantar os pratos…”. Quando o relógio tocar deve com calma retirar os pratos, tal como combinado. Não se mostre zangado, ou aborrecido com o que a criança comeu. Opte por um comentário descritivo: “Estou a ver que hoje estás sem fome…”. Com este procedimento estamos a fazer com que a criança se sinta responsável pelo que comeu. Assim que entender que há uma limitação de tempo e quais as consequências de não comer no tempo estabelecido, começará a melhorar o seu comportamento durante as refeições e a reconhecer que não obtém a sua atenção se não comer.

5- Evite o petiscar a toda a hora, fora das refeições

Se as crianças estão sempre a petiscar, nunca vão sentir o seu corpo a “dizer” que está com fome. Além disso irão adquirir maus hábitos alimentares. Estabeleça limite de acesso à comida às horas das refeições (5 diárias), com intervalos regulares. Esta é uma forma de ensinar que os momentos para comer são pré-estabelecidos e que, se não comer naquela refeição, só o voltará a fazer na seguinte (não caia na tentação de dar alimentos que substituem a refeição que não comeu).

6- Torne a hora da refeição, num momento divertido e relaxante

Lembre-se que este momento deve ser positivo e livre de conflitos e discussões. É basilar adotar uma atitude descontraída e de apoio. Se a criança já sabe comer sozinha (> 15 meses), evite dar-lhes de comer à boca e não apresse o momento da refeição, pois é importante que a criança possa explorar os alimentos e as suas texturas. Não deve exigir o prato limpo, o chão sem restos de comida, ou maneiras perfeitas à mesa: a criança está a aprender, ajude-a! Se, por outro lado, a criança já é mais crescida (> 4, 5 anos) deve incentiva-la a utilizar corretamente os talheres, apelando à sua autonomia: “Que crescido, já comes tão bem de faca e garfo! Estou muito contente”. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para que as refeições decorram num ambiente descontraído e alegre, para todos os membros da família. Evite “berros” e confusões. Outras atividades em simultâneo podem ser prejudiciais, pois vão desviar a sua atenção e a da criança: de evitar o uso de telemóveis, tablets e televisores.

7- Seja persistente, vai ver que valerá a pena!

Seja persistente. Elogie e incentive a criança a falar sobre outros assuntos, que não impliquem o seu comportamento durante a refeição.

Verónica Pereira
Enfermeira Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria
Área de intervenção na Infância e Adolescência
http://www.crescercomafecto.com

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ESTÁ NA HORA DE DEIXAR A FRALDA?

DICAS PARA AJUDAR O SEU FILHO A DEIXAR A FRALDA

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Está na hora do meu filho deixar a fralda?  
Quando e como lhe vamos retirar a fralda? 
Ele já tem idade para deixar a fralda? 
Será a altura certa?
Deverei força-lo a ir à casa de banho?

Estas são algumas das questões que os pais colocam com frequência aos profissionais de saúde, quando a criança começa a andar e a falar…

Para dar resposta a estas questões é necessário termos em consideração a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra e como tem sido o seu desenvolvimento motor e emocional ao longo desse tempo. Segundo Brazelton, pediatra e autor de vários livros de desenvolvimento infantil, a criança tem que estar preparada para este momento (nunca antes dos dois anos) e os pais devem conhecer os sinais de que ela está apta para iniciar este processo.

Deseja-se que este seja um momento positivo, de conquista para a criança e não o contrário: -um momento de frustração e emocionalmente negativo, pode levar a problemas futuros, tais como, retenção urinária e/ou das fezes, incontinência fecal e/ou urinária, ou enurese noturna.

É importante que esta fase, de início do treino esfincteriano (reter o xixi e o cocó durante algum tempo), aconteça quando a criança está preparada, ou seja, no momento em que revela sinais de maturidade [aspetos fisiológicos, cognitivos, psicológicos e emocionais], designadamente:

  • A linguagem da criança está bem desenvolvida;
  • A criança sabe dizer “não”;
  • Começa a imitar os pais e o(s) irmão(s) mais velho(s);
  • Começa a manter-se seca durante uma ou duas horas;
  • Consegue estar algum tempo sentada;
  • Tem regularidade no horário da evacuação;
  • Começa a ter consciência do seu corpo.

Estes são alguns dos sinais que Brazelton enumera como essenciais para que a criança tenha sucesso no controlo dos esfíncteres.

Algumas crianças começam a ser treinadas por volta dos 2 anos, mas não se preocupe se o seu filho, com 2 anos e meio, ainda não tiver iniciado o treino: -muitas crianças só estão preparadas mais tarde. Se, pelo contrário, este der sinais de estar preparado, pode começar o treino do bacio mais cedo; mas não tenha “pressa”, nem crie “lutas de poder” por causa disto. Inicie este processo de treino quando tiver disponibilidade, paciência e quando não tiver demasiadas pressões familiares de outro tipo.

SINAIS DE QUE A CRIANÇA ESTÁ PRONTA:

  • O seu filho consegue manter-se seco durante 2 ou mais horas;
  • O seu filho reconhece os sinais que precisa de usar o bacio/sanita;
  • O seu filho consegue baixar as cuecas e puxá-las para cima sozinho;
  • O seu filho parece motivado ou interessado para ir à casa de banho;
  • O seu filho consegue cumprir instruções simples.

Se identifica a maioria destes sinais no seu filho pode começar o treino esfincteriano, ou treino no bacio, contudo, lembre-se que ajudar a criança a deixar a fralda é um processo que necessita de muita compressão e tempo [cada criança tem o seu tempo].

COMECAR O TREINO ESFINCTERIANO SEGUINDO OS SEGUINTES PRINCÍPIOS:

  • Vista o seu filho com roupas que sejam fáceis de tirar, com elástico na cintura;
  • Use um bacio de tamanho infantil ou um adaptador especial para a sanita;
  • Crie uma rotina para ele se sentar no bacio – comece por sentar a criança completamente vestida uma vez por dia, na altura que ela habitualmente suja a fralda;
  • Avance, sentando o seu filho no bacio despido da cintura para baixo. Não o force nem o obrigue a sentar-se;
  • Deixe que o seu filho o veja a si ou aos irmãos mais velhos a ir à casa de banho;
  • Mostre-lhe como usar o papel higiénico, o autoclismo e como lavar as mãos;
  • Elogie o seu filho sempre que ele usar o bacio, ou vir que ele tem as cuecas secas;
  • Estabeleça um horário para ir ao bacio;
  • Certifique-se de que o seu filho sabe que não faz mal pedir ajuda para ir ao bacio, em qualquer altura;
  • Ensine o seu filho a limpar-se e a lavar as mãos depois de ir ao bacio;
  • Conte com regressões; não dê muita importância aos erros, como molhar a cama ou acidentes – mantenha-se calmo e positivo: “Não faz mal, aposto que da próxima vez fazes no bacio”;
  • Quando a criança já se conseguir manter seca, considere a hipótese de usar cuecas de treino, uma vez que estas permitem às crianças pequenas despirem-se sozinhas; introduza-as gradualmente, talvez durante algumas horas de cada vez;
  • Continue a usar fralda durante a noite, mesmo que o seu filho fique seco durante o dia; pode levar meses ou anos até conseguir ficar seco à noite.

Verónica Pereira
Enfermeira Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria
Área de intervenção na Infância e Adolescência
http://www.crescercomafecto.com


Pilates Clínico – coluna protegida, corpo e mente sãos

Physiotherapy: Senior man and physiotherapistSabia que cerca de 80% das pessoas sente ou poderá vir a sentir dor na coluna? E que, na maioria dos casos, a causa está relacionada com uma postura incorreta e/ou com hábitos de vida sedentários?

Na sequência deste problema, torna-se cada vez mais importante corrigir ou prevenir possíveis desequilíbrios musculares responsáveis pelas posturas incorretas, assim como reforçar a ativação dos músculos responsáveis pelo suporte de toda a coluna. Faz, por isso, cada vez mais sentido, a prática de atividades como o Pilates Clínico. Mas, então, em que se baseia este método de treino terapêutico?

Método Pilates

Conhecido inicialmente como “Contrologia”, o método Pilates, criado por Joseph Pilates, em 1920, considera o controlo consciente de todos os movimentos musculares do corpo, com o objetivo de melhorar a saúde (física, mental e espiritual). Os seus fundamentos são: concentração, respiração, precisão, controlo, fluidez de movimentos e centralização (ativação do centro de força – músculos profundos da região abdominal, lombar e pélvica).

Pilates Clínico – qual a diferença?

Tendo em consideração as mais recentes investigações científicas sobre a estabilidade dinâmica, a postura e os movimentos potencialmente prejudiciais do método original de Joseph Pilates, fisioterapeutas australianos desenvolveram, na década de 90, o Pilates Clínico.

Consiste, assim, num conjunto de exercícios terapêuticos, adaptados dos exercícios originais, divididos em vários graus de dificuldade e que, quando executados regularmente, sem a ocorrência de compensações e com uma progressão adequada, trazem benefícios para a saúde.

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 Os Benefícios

  • Correção postural;
  • Melhoria da consciência corporal;
  • Melhoria da força, resistência e flexibilidade muscular;
  • Aumento da estabilidade corporal;
  • Melhoria do controlo respiratório;
  • Melhoria da coordenação motora;
  • Aumento da concentração;
  • Melhoria do equilíbrio;
  • Relaxamento e bem-estar psicológico;
  • Alívio e prevenção de sintomatologia dolorosa;
  • Prevenção e tratamento de disfunções do pavimento pélvico;
  • Alívio da tensão e fadiga muscular.

Tratamento e prevenção da dor na coluna

Quando a dor na coluna surge, ocorre uma resposta de proteção: uma desativação dos músculos posturais (ou profundos), que têm como função manter a sustentação da coluna. À medida que a dor se torna recorrente, a função destes músculos deixar de ser desempenhada e, consequentemente, ocorre um enfraquecimento muscular. Enquanto os músculos posturais são desativados, os músculos superficiais, responsáveis pelo movimento, assumem a função postural. Desta forma, estes músculos rapidamente se sobrecarregam, entrando em espasmo, as conhecidas “contraturas” e provocando ainda mais dor.

O Pilates Clínico, através da ativação do centro de força (ou músculos posturais), contribui para uma maior estabilização das articulações, principalmente da coluna vertebral, prevenindo e tratando a dor.

Durante a Gravidez

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Por ser um método de treino seguro, confortável e de baixa intensidade e impacto, o Pilates Clínico é altamente apropriado para a mulher grávida. Além disso, apresenta benefícios específicos e muito importantes para esta fase da vida, nomeadamente o fortalecimento de músculos essenciais para o trabalho de parto e para a prevenção da incontinência urinária, a melhoria do controlo da respiração (que favorece o relaxamento durante as contrações), o aumento da consciência corporal, o alívio da dor de costas e o aumento da energia, da autoestima, da confiança e da sensação de bem-estar.

Qualquer mulher grávida sem contraindicação médica para a prática de exercício físico poderá praticar Pilates Clínico, a partir do 2º trimestre e até ao momento do parto.

[Por Nelma Paiva, Fisioterapeuta na Crescer com Afecto – Saúde Pais e Filhos]

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Mães e bebés em movimento

Desde o útero da mãe, o bebé experiencia movimento. Além de mudar a sua posição, ele acompanha os movimentos internos e externos da mãe. Depois de nascer, continua a precisar de movimento através, por exemplo, do embalo, que o tranquiliza.

Para a mãe, os novos meses de gravidez e a experiência do parto têm um forte impacto no seu corpo, pelo que pensar na sua rápida recuperação é, por vezes, um dos maiores motivos de ansiedade. Por outro lado, as alterações físicas e hormonais sentidas a seguir ao nascimento do bebé podem produzir grande instabilidade emocional. Este período de maior fragilidade associado à nova rotina familiar que se instala, leva a um desgaste físico e emocional acentuado, levando à acumulação de tensões físicas. Nesse sentido, é fundamental que a mãe cuide do seu corpo.

O exercício físico no período pós-parto tem benefícios para a saúde da mulher, permitindo a recuperação dos músculos do pavimento pélvico, prevenindo a incontinência urinária, a tonificação dos músculos abdominais, a recuperação do peso e da forma física, o aumento da consciência corporal e a melhoria da postura, a prevenção da dor muscular e/ou articular e, não menos importante, a obtenção de inúmeros benefícios psicológicos, como a redução do stress e o aumento da autoestima.

Mas, sendo este um momento de entrega completa ao bebé, muitas vezes as mães descuram o seu próprio bem-estar em prol da atenção dada ao novo ser que trouxeram ao mundo. No entanto, a sua saúde e o seu estado emocional são tão importantes quanto os do seu bebé. E porque não juntar o útil ao agradável?

Experienciar uma recuperação com afeto

A integração do bebé na prática do exercício físico da mãe traz inúmeros benefícios para ambos. Além de todos as vantagens do exercício físico já referidas para a mulher, o bebé beneficia da experiência e vivência do movimento na primeira infância, estimulando positivamente o seu desenvolvimento sensório-motor. Este estímulo associado à interação com a mãe vai permitir que o bebé se divirta, fique mais relaxado, contribuindo para a melhoria da qualidade do seu sono, bem como para o alívio de desconfortos comuns, tais como as cólicas e a obstrução nasal.

Por outro lado, estes momentos proporcionam um fortalecimento do vínculo afetivo mãe-filho, reduzindo a probabilidade da mulher vivenciar o fenómeno baby blues e consequentemente, evitando uma depressão pós-parto. A possibilidade de interagir com outras mães e bebés, através da partilha de experiências e conhecimentos, contribui também para o aumento da autoconfiança e do autocontrolo da mulher.

Relembrando alguns dos benefícios físicos desta prática, é importante observar que o peso do bebé favorece o aumento da carga/intensidade dos exercícios, contribuindo para o fortalecimento de todos os grupos musculares e preparando a mulher para os novos desafios posturais que se impõem nesta fase, como pegar no bebé ao colo, mudar a fralda ou amamentar.

É, no entanto, fundamental que as mães no período pós-parto pratiquem exercício físico orientado por profissionais especializados, sempre de acordo com a sua condição física. O exercício físico adequado às necessidades e objetivos da mulher irá contribuir para que esta se sinta com mais energia para brincar, cuidar e mimar o seu bebé.

Por Nelma Paiva, Fisioterapeuta na Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos.


Educar na Liberdade

Family running outdoors holding hands and smilingO tema da liberdade e da responsabilidade é um dos temas centrais da educação dos filhos e deve ser alvo de análise e reflexão por parte do casal. Educar na liberdade é, efetivamente, o mais difícil de conseguir, mas é, todavia, o mais necessário. Por um lado, existem pais que, por afãs de liberdade, acabam por não conseguir colocar limites aos filhos. Por outro lado, há outros que, por afãs educativos, acabam por não respeitar a liberdade dos seus filhos impondo-lhes vontades alheias.

Ao preparar as crianças para a liberdade, os pais estão a permitir que elas possam alcançar a sua máxima grandeza – uma liberdade constitutiva que, se bem orientada, conduz à liberdade de escolha, baseada em critérios orientados para o bem. Atingir essa liberdade – a capacidade do homem poder negar a realização do que é mais próprio do seu modo de ser e da sua natureza – requer esforço pessoal e educação. Garrido, em Educar en liberdad y responsabilidad, afirma que “educar es enseñar a los niños a usar bien su libertad, de modo que quieran adherirse al bien con su conducta, superando la rebeldía negativa”.

Desde cedo, os filhos testam os limites dos pais. E, desde cedo, os pais devem educar os filhos, tendo o cuidado de adequarem as estratégias utilizadas à fase de desenvolvimento de cada um, para que eles entendam o fundamento das escolhas e das tomadas de posição que lhes são sugeridas. Por isso é tão importante que os pais coloquem regras e limites bem claros, sob pena de estarem a criar um futuro candidato à indisciplina.

Para que aprenda a ser livre, a criança, antes de mais, deve aprender a confiar e a obedecer. Aos pais cabe o exercício irrenunciável da autoridade, algo que se revela decisivo e estruturante num crescimento socio-emocional saudável da criança. Para que ela aprenda a obedecer, os pais devem dar-lhe motivos elevados e encorajadores que a faça entender o propósito de tais ações, ajudando-a a compreender que a obediência é a chave para a convivência com os demais, para que um dia saiba usar a sua autoridade com sabedoria e sensatez.

Se os filhos crescerem percebendo que a obediência se deve ao bem moral, entendem os motivos, forjam o seu caráter e aprendem a ser autenticamente livres. Dessa forma estarão a melhorar como pessoas e a contribuir para que esse bem se estenda ao seu redor.

Por Luís Pereirinha, Professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico a Assessor Educativo e Familiar na Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos,

Para Up to Lisbon Kids®


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INFEÇÕES RESPIRATÓRIAS DO BEBÉ: Prevenir e tratar com fisioterapia

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Quando há necessidade de recorrer à fisioterapia respiratória?

A fisioterapia respiratória, indicada em todas as idades, é particularmente importante em pediatria porque as crianças e bebés, devido às especificidades do seu aparelho respiratório e pelo seu sistema imunitário não estar totalmente desenvolvido, têm uma sensibilidade maior a determinados microrganismos, como os vírus e as bactérias, desenvolvendo facilmente infeções respiratórias.

Esta intervenção, individual e personalizada, é recomendada quando há associação de sintomas como a obstrução nasal, a tosse, os “gatinhos” (sibilâncias), febre, diminuição do apetite ou sono alterado. Estes sintomas indicam que a infeção pode ter progredido para as vias aéreas inferiores, ou seja, para o interior dos pulmões, sendo agravada pelo facto de a criança apresentar dificuldade em libertar as secreções, que se acumulam criando um espaço ideal para o desenvolvimento dos microrganismos. No entanto, é importante realçar que se a criança consegue libertar as secreções sozinha, deveremos estimular esse sucesso e não intervir!

A fisioterapia respiratória consiste, assim, na reprodução do movimento normal da inspiração e expiração facilitada pelas mãos do fisioterapeuta, com o objetivo de mobilizar e eliminar as secreções. São utilizadas técnicas como a aspiração nasal, técnicas inspiratórias forçadas, a expiração lenta e prolongada, associados (ou não) à tosse provocada.

Durante a intervenção é provável que a criança chore, esperneie, chame pela atenção dos pais ou tente tirar as mãos do fisioterapeuta do seu corpo. Estes sinais de inquietação apenas significam que a criança não está a gostar que a agarrem à força e a obriguem a sujeitar-se à introdução de soro nas narinas e de alguma pressão no tórax. No entanto, é importante informar os pais que nenhuma destas técnicas provoca dor ou representa qualquer risco para a criança. Por outro lado, o choro pode ser considerado um amigo, pois a vibração que provoca é transmitida às vias aéreas pulmonares, ajudando no descolamento das secreções.

Estas técnicas têm sido estudadas nos últimos anos, verificando-se uma melhoria significativa dos sintomas logo após a primeira sessão e uma diminuição do tempo de recuperação. Deste modo, evita-se o uso abusivo de antibióticos, que não têm influência no curso das infeções virais, incentivam ao aparecimento de numerosas resistências bacterianas e podem matar bactérias benéficas para o corpo.

A fisioterapia pode e deve atuar também na prevenção das infeções respiratórias, contribuindo para a qualidade de vida da criança e dos pais. Os ganhos dessa intervenção podem ser significativos: poupam-se os custos com hospitalizações, reduz-se problemas como a ausência laboral dos pais e reduz-se a morbidade associada a problemas respiratórios na primeira infância. Desta forma, o fisioterapeuta pode capacitar os cuidadores, nomeadamente os pais e educadores de infância, das ferramentas necessárias para reconhecer e lidar com as infeções das vias aéreas superiores, atuando de forma preventiva e evitando possíveis recidivas.

A fisioterapia respiratória pediátrica contribui para prevenir, reverter ou minimizar possíveis disfunções e respetivas complicações, promovendo a melhoria da qualidade de vida da criança, através da integração social e familiar e do aumento da sua funcionalidade.

Por Nelma Paiva, Fisioterapeuta do Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos,
Para Up to Lisbon Kids®


COMO ESTAR ATENTO AO DESENVOLVIMENTO DA FALA E DA LINGUAGEM DOS SEUS FILHOS?

iStock_0000081501492SmallAs crianças começam a aprender a comunicar desde o nascimento, numa variedade de atitudes, tais como, olhares, gestos e vocalizações. É cada vez mais relevante que pais, professores e educadores estejam atentos ao desenvolvimento da fala e da linguagem, e à sua relação com as dificuldades na aprendizagem. Assim, é muito importante saber como identificar sinais de alerta que poderão ajudar a entender qual a altura certa para fazer o despiste, permitindo assim detetar e agir precocemente em casos que necessitem de intervenção, evitando dificuldades no rendimento escolar e no desenvolvimento psicoafectivo da criança.

O Terapeuta da Fala é o profissional que o pode ajudar no caso de detetar algum destes sinais de alerta e que pode acompanhar os pacientes de todas as idades, que apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem. Mas é essencialmente durante a infância e adolescência que a intervenção é necessária. Uma parte muito importante desta intervenção inclui a preparação dos pais para o estímulo das capacidades de comunicação da criança e fundamenta-se no desenvolvimento de atividades no âmbito da prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação humana, abrangendo funções associadas à compreensão/expressão da linguagem oral e escrita e comunicação não verbal.

É importante mencionar que a intervenção apresentará um prognóstico mais favorável quanto mais precocemente for iniciado. Assim, se os seus filhos/educandos/alunos apresentarem um ou mais destes sinais de alerta não hesite em contatar um terapeuta da fala para avaliação.

Principais sinais de alerta

INFÂNCIA

  • Aos 2 anos ainda não falar, produzir frases com duas palavras ou apresentar menos de 50 palavras;
  • Aos 3 anos não produzir frases ou possuir um vocabulário reduzido;
  • Não compreender ordens simples;
  • Omitir/substituir alguns sons da língua portuguesa;
  • Apresentar linguagem muito imatura;
  • Não se mostrar interessado em comunicar com as pessoas;
  • Repetir enunciados sem prosódia imediatamente após ouvir ou algum tempo depois;
  • Falar pelo nariz;
  • Ter mais de 4 anos e gaguejar;
  • Não manter contato ocular;
  • Dificuldades em memorizar canções infantis;
  • Dificuldades em controlar a baba e em deglutir (engolir) alimentos;

IDADE ESCOLAR

  • Omitir/substituir sons ao falar, ler e/ou escrever;
  • Apresentar dificuldades ao ler e escrever;
  • Usar frases incompletas ou com erros gramaticais;
  • Ter dificuldades em compreender/executar ordens simples e/ou complexas;
  • Dificuldades em comunicar com as pessoas;
  • Gritar muito ficando rouco com frequência;
  • Gaguejar por um período superior a 4-6 meses;

Por Ana Dias, Terapeuta da Fala do Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos,

Para Up to Lisbon Kids